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Conheça as principais doenças causadas pelo acúmulo de lixo

As principais doenças causadas pelo lixo ocorrem através de vetores, como ratos e moscas. Esse contato se dá, de forma indireta, por meio da falta de estrutura que impede a contaminação e a transmissão, como é o caso de lixões a céu aberto. Esses não possuem nenhuma estrutura capaz de minimizar o impacto ao meio ambiente e à saúde da população. No entanto, os lixões não são a principal fonte de proliferação de doenças. A proliferação de micro-organismos residentes no lixo ocorre desde a coleta dos resíduos em residências, hospitais e demais locais.

As pessoas mais infectadas são aquelas que sobrevivem do lixo, que moram no entorno dos depósitos e trabalham com este material, sendo coletores, funcionários de aterros e cooperativas, e trabalhadores informais, como carrinheiros.

Além dos vetores transmissores das doenças, o lixo, quando exposto sem tratamento, e os depósitos inadequados causam impacto ambiental e podem acarretar outras doenças, que se estendem à população em geral. Um exemplo é o chorume, que pode contaminar lençóis freáticos e ocasionar males aos indivíduos que consomem essa água. O descarte inadequado do lixo em terrenos baldios pode contribuir com a disseminação de doenças, já que os depósitos inadequados geram paradouros de água para formação do mosquito Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue e da febre amarela urbana.

As principais enfermidades ocasionadas por vetores e contato direto com o lixo

Tétano: doença grave causada por uma toxina produzida pela bactéria Clostridium tetani. Quando contamina os ferimentos, a bactéria produz a toxina, que age sobre terminais nervosos e induz a fortes contrações musculares. Essas contrações podem se tornar generalizadas e atingir o músculo diafragma, causando uma parada respiratória.

Hepatite A: doença infecciosa aguda, causada por um vírus, que provoca inflamação e necrose do fígado. O vírus é transmitido pela via fecal-oral, pela ingestão de água e alimentos contaminados ou, diretamente, de pessoa para outra.

Dermatite de contato: inflamação da pele provocada pelo contato direto com substâncias que causam reação alérgica ou inflamatória, como ácidos, sabonetes, detergentes, solventes, produtos vencidos ou estragados, adesivos, cosméticos e outras substâncias químicas.

Cólera: infecção intestinal aguda causada pela bactéria Vibrio cholerae, capaz de produzir uma toxina que causa diarreia. A transmissão ocorre pela ingestão de água ou alimentos contaminados.

Tracoma: conjuntivite que pode provocar a formação de cicatrizes na conjuntiva e na córnea, podendo levar à cegueira. A transmissão pode ocorrer pelo contato com os olhos das mãos, toalhas ou roupas utilizadas para limpar rosto e mãos.

Febre tifoide: doença infecciosa grave, causada pela bactéria Salmonella typhi. A doença provoca febre prolongada, alterações no funcionamento do intestino, aumento do fígado e do baço e confusão mental progressiva, podendo levar à morte. Sua transmissão ocorre através da ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes humanas ou urina contendo a Salmonella typhi, além do contato direto (mão-boca) com fezes, urina, secreção respiratória, vômito ou pus proveniente de um indivíduo infectado.

Verminoses: Áscaris lumbricoides, Ancilostomo duodenale, Trichiuris trichiura, Taenia saginata, Taenia solium, ameba e giardia são alguns dos parasitas que podem habitar o intestino. Dependendo do tipo de parasita, pode provocar perda de apetite, emagrecimento, diarreia, anemia, desordem de cólon e irritação do reto e ânus. A transmissão pode ser dar pela ingestão de alimentos mal-cozidos ou crus que não foram devidamente higienizados, água contaminada, contato direto com excremento humano ou animal.

Muitas doenças podem ser tratadas com o tratamento correto do lixo, e com a reeducação ambiental da população em separá-lo. Manter em dia as vacinas obrigatórias, e utilizar equipamentos de proteção individual auxiliam na prevenção.

Materiais não renováveis

Um dos maiores problemas é o consumo de energia e materiais que são usados para fazer embalagens e produtos que depois descartamos. Essa energia e esses materiais geralmente vêm de recursos não renováveis, como petróleo e minerais. Quando descartamos o que consideramos lixo, estamos, na verdade, jogando fora os recursos naturais.

A contaminação da água

A água da superfície é contaminada pelo lixo que jogamos em rios e canais. Em lugares onde há concentração de resíduos líquidos (lixiviados e chorume) há contaminação do solo e das águas subterrâneas. Deve-se notar que nos aterros sanitários devidamente licenciados pelos órgãos ambientais, os lixiviados não contaminam a água ou o solo porque são controlados e adequadamente tratados, ao contrário dos lixões, onde não há qualquer controle. A descarga de resíduos em córregos e canais abandonados em vias públicas, também pode ocasionar a obstrução de redes de esgotos. Na época de chuvas, provoca inundações que podem causar a perda de bens materiais e, o que é pior, vidas humanas.

Contaminação de solo

A presença de óleos, solventes, gorduras, metais pesados e ácidos, entre outros resíduos contaminantes, alteram as propriedades físicas, químicas e do solo, podendo representar um grande risco à população.

A poluição do ar

Os resíduos sólidos abandonados em lixões a céu aberto deterioram a qualidade do ar que respiramos por causa da queima e da fumaça, além de vetores (insetos, roedores e pequenos animais) que ocasionam incômodos e podem disseminar doenças. A visibilidade é reduzida e a poeira levantada pelo vento em períodos de seca podem transportar microrganismos que produzem infecções respiratórias e irritação nasal e ocular, além de ser inconveniente respirar odores desagradáveis. Além disso, a degradação da matéria orgânica dos resíduos produz uma mistura de gás conhecida como biogás, composta principalmente de metano e dióxido de carbono (CO2 e CH4), conhecidos como gases efeito estufa (GEE), que contribuem para o processo de das alterações climáticas; adicionalmente, o metano acumulado pode causar explosões.

Outros efeitos

Além da poluição do ar, terra e água, a má gestão dos resíduos tem efeitos prejudiciais à saúde pública (devido à poluição ambiental e à possível transmissão de doenças infecciosas transportadas por vetores) e à degradação ambiental em geral, bem como aos impactos paisagísticos. Da mesma forma, a degradação ambiental implica custos sociais e econômicos, como a desvalorização de propriedades, a perda de qualidade ambiental e seus efeitos sobre o turismo.

Lei sobre descarte de lixo

Desde 2014, foi sancionada a lei que prevê multa para quem não fizer o descarte correto desses itens. Mas 71% dos municípios brasileiros ainda não fazem isso de maneira correta e seletiva, a ponto de não prejudicar o meio ambiente (quer entender um pouco melhor como eles prejudicam o ambiente, leia esse nosso post).

Como resolver o problema

Para que o lixo não seja um problema para a sociedade, é necessário realizar o descarte correto. Atualmente a gestão de resíduos é feita através da reciclagem, compostagem, aterro sanitário ou incineração. É importante que os resíduos não sejam descartados incorretamente, que sejam levados para aterros sanitários ou submetidos aos processos anteriormente citados. Além disso, também é necessário educar a sociedade sobre o lixo e seu impacto ambiental e a necessidade de reduzir o consumo de matérias primas e energia.

O atual modelo de descarte de lixo nas cidades brasileiras

Assim como na maioria dos países, no Brasil, a questão do lixo é extremamente preocupante. Há uma carência muito grande em alguns serviços básicos, como a falta de investimentos na área de saneamento. Exemplo disso é que, em algumas regiões do Brasil, a população ainda não tem acesso nem mesmo à água potável.

Quanto ao lixo, em muitas cidades não existem aterros sanitários e áreas próprias para recebimento de resíduos recicláveis. Embora toda essa estratégia para melhorar a questão faça parte da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), pouco se tem feito para mudar esse cenário.

Um ponto importante da política é a diferenciação entre os tipos de resíduos sólidos que sobraram de um determinado produto ou processo. Caso ele ainda suporte alguma possibilidade de uso, ou seja, possa ser consertado (reuso) ou transformado (reciclagem) para servir para outra finalidade, é chamado de resíduo. Já o rejeito é o resíduo sólido cujas possibilidades de reaproveitamento ou reciclagem estão esgotadas. Nesse último caso, só resta encaminhá-lo para um aterro sanitário licenciado ambientalmente ou para incineração.

No entanto, é possível verificar a necessidade de melhorias no processo de educação básica, especialmente considerando que o tema do descarte adequado do lixo vai muito além da mera gestão de resíduos: envolve a saúde pública. O Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana indica que 24% dos domicílios brasileiros não contam com coleta de lixo.

Há ainda a falta de hospitais de qualidade, o que contribui para uma maior vulnerabilidade de quem depende desses serviços públicos. Em adição a isso, convivemos com as falhas na logística de infraestrutura dos grandes centros urbanos.

Tudo isso concorre para a adoção de comportamentos inadequados e ações prejudiciais que levam ao descarte incorreto de lixo. A ausência de uma visão sistêmica também colabora para essa realidade. Isso porque não há uma divulgação adequada sobre o destino dos resíduos e dos problemas de saúde pública decorrentes dos seus impactos. Com isso, a tendência é que as pessoas deixem de se preocupar com o lixo depois que ele é “retirado da porta de sua casa”.

Entretanto, quando o caminhão recolhe os resíduos domésticos, o problema do lixo não desaparece. Pelo contrário, o descarte incorreto de lixo resulta em problemas gravíssimos e que colocam em xeque questões estruturais relacionadas à saúde coletiva e ao meio ambiente.

Nesse sentido, governo, sociedade e entidades públicas e privadas comprometidas com o saneamento precisam fomentar medidas educativas que viabilizem soluções mais eficazes quanto ao destino dos resíduos.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) prevê a não geração de resíduos sólidos, mas, quando gerados, é preciso que haja a disposição final adequada. Para isso, a norma estabelece que a responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos deve ser compartilhada.

Desse modo, os órgãos competentes precisam enfatizar a destinação correta do lixo, bem como incentivar o reuso e a reciclagem e minimizar os impactos causados pelos problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos.

No entanto, o cenário brasileiro é de muita lentidão nesse processo. Vários municípios ainda estão se organizando para a adequação da gestão da infraestrutura das cidades. Um trabalho em conjunto com a iniciativa privada pode contribuir para a adoção de uma postura mais consciente e responsável — e ainda ecologicamente correta — em relação ao problema do lixo.

Também é necessário acreditar no poder transformador da educação como linha de base para essa mudança comportamental. A partir de uma nova postura, é possível repensar o conceito de resíduo não mais como um material sem uso, mas sim como matéria-prima que deve retornar à cadeia produtiva. Essa mudança de paradigma é essencial tanto para reduzir o descarte incorreto de lixo quanto para a redução do próprio consumo.

Conheça a real quantidade de lixo que é reciclada no Brasil

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, proposta pela Lei Federal 12.305/2010, orienta a conduta em relação aos materiais provenientes das atividades domésticas e comerciais. Quando passíveis de coleta pelos serviços públicos, deverão ser encaminhados para destinação final somente quando seu reaproveitamento não for possível, isto é, forem considerados rejeitos.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), apesar da possibilidade de se reciclar 30% de todo o lixo produzido no país, a taxa de reaproveitamento desses insumos chega a 3% desse total. Com isso, o país tende a perder dinheiro com o descarte incorreto de lixo, pois deixa de aproveitar oportunidades de grande viabilidade econômica.

Esses números evidenciam um enorme desperdício tanto no âmbito ambiental quanto no socioeconômico, já que a reciclagem poderia ser uma fonte de renda extra para muitas famílias brasileiras. Um dos problemas é a falta de adequação às normas que regem essa questão. A lei determina a reutilização desses resíduos por meio das seguintes alternativas:

  • reciclagem;
  • reutilização;
  • compostagem;
  • geração de energia;
  • fabricação de adubos orgânicos.


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